Voz passiva em inglês para iniciantes: guia completo com estrutura e tabela de tempos verbais
A voz passiva (passive voice) em inglês costuma assustar o aluno brasileiro mais do que deveria — não porque o conceito seja estranho (o português também tem voz passiva: "O livro foi escrito por ela"), mas porque a formação da passiva em inglês depende diretamente do domínio dos particípios passados e dos tempos verbais com "to be", uma combinação que exige memorização precisa e que o aluno costuma tentar "traduzir" mentalmente do português, palavra por palavra, em vez de aplicar a fórmula fixa do inglês.
O que é voz ativa e voz passiva
Na voz ativa, o sujeito da frase pratica a ação. Na voz passiva, o sujeito da frase recebe a ação, e quem pratica a ação (o agente) pode ser mencionado ou omitido.
- Voz ativa: Shakespeare wrote this play. (Shakespeare escreveu esta peça.)
- Voz passiva: This play was written by Shakespeare. (Esta peça foi escrita por Shakespeare.)
Estrutura básica da voz passiva
Estrutura:
Sujeito (que recebe a ação) + verbo "to be" (no tempo correspondente) + particípio passado + (by + agente, opcional)
O elemento fixo mais importante para o aluno memorizar é: be + particípio passado (V3). É essa combinação que forma a passiva em qualquer tempo verbal — muda-se apenas a conjugação do verbo "to be", nunca a estrutura em si.
Tabela de transformação por tempo verbal
| Tempo verbal | Voz ativa | Voz passiva |
|---|---|---|
| Presente simples | They clean the office every day. | The office is cleaned every day. |
| Presente contínuo | She is writing the report. | The report is being written. |
| Passado simples | He wrote the letter. | The letter was written. |
| Passado contínuo | They were building the house. | The house was being built. |
| Presente perfeito | She has finished the project. | The project has been finished. |
| Passado perfeito | They had completed the work. | The work had been completed. |
| Futuro simples (will) | They will announce the results. | The results will be announced. |
| Futuro com "going to" | They are going to launch the product. | The product is going to be launched. |
| Modais (can, must, should) | You must submit the form. | The form must be submitted. |
Uma técnica muito eficaz para o aluno brasileiro fixar esse quadro é praticar a transformação em pares, sempre na mesma ordem: primeiro identificar o tempo verbal da frase ativa, depois aplicar exatamente o mesmo tempo ao verbo "to be" na passiva, e por último trocar o verbo principal para o particípio passado (V3), sem jamais conjugá-lo.
O erro mais comum: esquecer o "to be" ou usar o verbo principal conjugado
Como o português forma a passiva de maneira parecida ("é limpo", "foi escrito"), a estrutura em si não costuma ser um mistério total. O erro mais frequente do aluno brasileiro é, na verdade, de execução: ao tentar montar a frase rapidamente, ele conjuga o verbo principal em vez do "to be", produzindo erros como:
- ❌ The office cleaned every day. (faltou o "is")
- ❌ The letter is wrote. (usou o passado simples "wrote" em vez do particípio "written")
- ✅ The office is cleaned every day.
- ✅ The letter was written.
Vale reforçar que muitos verbos irregulares em inglês têm particípio passado diferente do passado simples (write/wrote/written, go/went/gone, see/saw/seen), e é justamente esse particípio (a terceira forma) que precisa aparecer na passiva — nunca a segunda forma (o passado simples).
Quando usar a voz passiva (e por que ela é tão comum em inglês)
O inglês usa a voz passiva com muito mais frequência do que o português em determinados contextos, especialmente:
- Quando o agente é desconhecido, óbvio ou irrelevante: My car was stolen last night. (Não importa quem roubou, o foco é o carro.)
- Em textos científicos, acadêmicos e técnicos, para manter um tom impessoal e objetivo: The samples were analyzed under controlled conditions.
- Em notícias e manchetes, quando o foco é o fato ou a vítima, não quem praticou a ação: Two people were injured in the accident.
- Em regras, instruções e avisos formais: Smoking is not allowed here. / Visitors are requested to sign in.
- Quando se quer evitar culpar alguém diretamente (uso diplomático): Mistakes were made. (em vez de apontar quem errou).
Como e quando mencionar o agente com "by"
O agente da ação (quem pratica a ação) é introduzido por by, e só é mencionado quando é relevante ou surpreendente para o contexto:
- The Mona Lisa was painted by Leonardo da Vinci. (o agente é informação essencial aqui)
- The window was broken. (o agente não importa ou não é conhecido — não se menciona "by someone")
Um erro comum de tradução do português é o aluno sempre tentar incluir "by someone" ou "by people" quando o agente é genérico ou desconhecido — em inglês, nesse caso, simplesmente se omite o agente por completo, sem necessidade de preencher esse espaço.
Voz passiva com dois objetos (verbos como "give", "send", "show")
Verbos que têm objeto direto e objeto indireto (dar, enviar, mostrar) permitem duas construções passivas possíveis, e o inglês prefere, na maioria dos casos, colocar a pessoa como sujeito da passiva, e não a coisa:
- Ativa: They gave her an award.
- Passiva (mais natural): She was given an award.
- Passiva (menos comum, mas possível): An award was given to her.
Esse ponto costuma surpreender o aluno brasileiro, porque em português a construção equivalente mais natural seria focar no objeto ("Um prêmio foi dado a ela"), enquanto o inglês tende a preferir a pessoa como sujeito da passiva.
Passiva com verbos de percepção e "reportar" (say, believe, think, report)
Uma estrutura muito usada em textos jornalísticos e acadêmicos em inglês, e que não tem equivalente estrutural direto no português, é a passiva com verbos como "say", "believe", "think", "report", seguida de infinitivo:
- Ativa: People say that he is very rich.
- Passiva com "it": It is said that he is very rich.
- Passiva com sujeito pessoal + infinitivo: He is said to be very rich.
Essa terceira forma (sujeito pessoal + to be + said/believed/thought + infinitivo) é particularmente sofisticada e vale a pena o aluno reconhecê-la em textos de nível avançado, mesmo que a produção ativa venha só depois de dominar as formas mais básicas da passiva.
Voz passiva não é sempre a melhor escolha
É importante ensinar ao aluno brasileiro que a voz passiva, embora muito usada em inglês formal/acadêmico, não deve ser abusada em textos de conversação, e-mails informais ou narrativas pessoais, onde a voz ativa costuma ser mais direta, mais natural e mais fácil de entender. Excesso de voz passiva em textos informais soa burocrático e distante — o mesmo problema estilístico que ocorre com o abuso de nominalizações.
Checklist de revisão da voz passiva
- Você usou "to be" no tempo verbal correto (correspondente ao tempo da frase ativa original)?
- O verbo principal está no particípio passado (V3), e não conjugado ou no passado simples?
- Você mencionou o agente com "by" apenas quando ele é relevante, sem inserir "by someone" desnecessariamente?
- Em verbos com dois objetos, você considerou colocar a pessoa como sujeito da passiva (mais natural em inglês)?
- O contexto realmente pede voz passiva (formal, científico, agente desconhecido), ou a voz ativa seria mais natural?
Uma vez internalizada a fórmula fixa "be + particípio passado", a voz passiva deixa de ser um bicho de sete cabeças e passa a ser apenas uma questão de escolher corretamente o tempo verbal do "to be" — o resto é praticamente mecânico.