Toda vez que você precisa identificar exatamente "de qual coisa ou pessoa" está falando — "o livro que eu comprei", "a mulher que mora ao lado", "o carro cujo motor quebrou" — você está usando, em português, uma oração relativa restritiva. Em inglês, essa estrutura se chama defining relative clause (também chamada de "restrictive relative clause" ou "identifying relative clause"), e embora o conceito seja o mesmo nos dois idiomas, os detalhes de uso, pontuação e omissão do pronome relativo trazem armadilhas específicas para quem tem o português como língua materna.
O que é uma oração relativa restritiva (defining relative clause)
A oração relativa restritiva fornece uma informação essencial para identificar o substantivo a que se refere — sem ela, a frase perde precisão ou fica sem sentido claro sobre "qual" pessoa, coisa ou lugar está sendo mencionado. Ela "restringe" o substantivo a um subconjunto específico.
- The woman who lives next door is a doctor. (sem a oração relativa, não saberíamos qual mulher)
- I lost the book that you lent me. (essencial para saber qual livro)
- The company that hired me last year has just gone bankrupt.
Diferente da oração relativa não restritiva (non-defining relative clause), que apenas acrescenta uma informação extra e dispensável (e que é separada por vírgulas), a defining relative clause não usa vírgulas e é gramaticalmente integrada ao restante da frase.
Os pronomes relativos e suas funções
| Pronome relativo | Uso | Exemplo |
|---|---|---|
| who | pessoas (sujeito ou objeto) | The man who called you is my brother. |
| whom | pessoas (objeto, mais formal) | The man whom you met is my brother. |
| which | coisas, animais (sujeito ou objeto) | The car which broke down is mine. |
| that | pessoas ou coisas (sujeito ou objeto, informal/neutro) | The car that broke down is mine. |
| whose | posse (pessoas ou coisas) | The woman whose car broke down is my neighbor. |
| where | lugares | This is the house where I grew up. |
| when | tempo | I remember the day when we met. |
| why | razão (só depois de "reason") | That's the reason why she left. |
"That" pode substituir "who" e "which" — mas com restrições
Uma regra fundamental (e frequentemente mal ensinada) é que "that" só pode substituir "who" e "which" em orações relativas restritivas, nunca nas não restritivas. Isso significa que estas duas frases são igualmente corretas:
- The book that I bought is fascinating.
- The book which I bought is fascinating.
Mas, se a oração fosse não restritiva (com vírgula, informação extra), "that" seria impossível:
- ✅ My car, which I bought last year, broke down.
- ❌ My car, that I bought last year, broke down.
Esse é um ponto-chave para diferenciar as duas estruturas: se você pode usar "that" naturalmente, é sinal de que está diante de uma oração restritiva.
Quando podemos (e devemos) omitir o pronome relativo
Esta é, provavelmente, a maior fonte de estranhamento para brasileiros: em inglês, quando o pronome relativo (who, which, that) funciona como objeto da oração relativa (e não como sujeito), ele pode — e na fala natural, costuma — ser omitido:
- The book (that) I bought is fascinating. (pronome relativo = objeto de "bought"; "I" já é o sujeito)
- The man (who/that) I met yesterday is a lawyer.
- This is the house (which/that) we visited last summer.
Já quando o pronome relativo funciona como sujeito da oração relativa, ele não pode ser omitido:
- ✅ The man who called you is my brother. (who = sujeito de "called")
- ❌ The man called you is my brother.
Erro típico de brasileiros: como o português não tem esse mecanismo de omissão do "que" relativo (dizemos sempre "o livro que eu comprei", nunca "o livro eu comprei"), alunos tendem a sempre manter o pronome relativo em inglês, mesmo quando soaria mais natural omiti-lo. Isso não é exatamente um "erro" gramatical — a versão com pronome também é correta — mas produz um inglês mais formal e "livresco" do que o necessário. Já o erro inverso, tentar omitir o pronome quando ele é sujeito, é um erro grave e comum entre alunos mais avançados que "hipercorrigem" ao tentar soar mais natural.
Preposições em orações relativas: "the person I talked to" vs. "the person to whom I talked"
Outro ponto que gera dúvida é o posicionamento da preposição quando o pronome relativo é objeto de uma preposição. O inglês permite duas construções:
| Registro | Exemplo |
|---|---|
| Informal/neutro (preposição no final, pronome geralmente omitido) | The person I talked to is my manager. |
| Formal (preposição antes do pronome, "whom" obrigatório para pessoas) | The person to whom I talked is my manager. |
Brasileiros tendem a evitar a estrutura informal (preposição no final da oração) por parecer "errada" — no português, jamais terminaríamos uma oração com preposição desse jeito. Mas em inglês essa é, na verdade, a forma mais natural e mais comum na fala cotidiana; a versão com "to whom" é reservada para registros bem formais e escritos.
"Whose" não é só para pessoas
Diferente do que muitos alunos assumem por associação com "who", "whose" também é usado com objetos e coisas, não apenas pessoas:
- The company whose profits doubled last year is expanding overseas.
- I live in a house whose roof needs repairing.
Erro de tradução literal: "that" usado para pessoas soa estranho a alguns alunos
Alguns brasileiros, tendo aprendido a regra "who = pessoa, which = coisa" de forma rígida, estranham ou evitam usar "that" para se referir a pessoas, mesmo sendo perfeitamente correto e comum na fala cotidiana:
- ✅ The man that called you is my brother. (tão correto quanto "who called you")
Vale reforçar que "that" é frequentemente a escolha mais informal e comum na fala do dia a dia inglesa, tanto para pessoas quanto para coisas, dentro de orações restritivas.
Concordância verbal dentro da oração relativa
Um detalhe sutil que provoca erro: o verbo dentro da oração relativa concorda com o antecedente (o substantivo a que o pronome relativo se refere), não com o sujeito da oração principal:
- He is one of the students who study every day. (concorda com "students", plural — não com "he")
- ❌ He is one of the students who studies every day.
Estrutura resumida da defining relative clause
Estrutura:
Substantivo (antecedente) + [who/which/that/whose + resto da oração relativa, sem vírgulas] + resto da oração principal
- The [restaurant] [that we went to last night] was excellent.
Dicas práticas para dominar as defining relative clauses
Uma boa prática é, ao revisar textos próprios em inglês, procurar por todas as ocorrências de "que" que você usaria em português e perguntar: esse "que" está funcionando como sujeito ou como objeto da oração relativa? Se for objeto, treine conscientemente a versão sem o pronome relativo, já que essa omissão é um dos traços que mais aproximam seu inglês escrito e falado do inglês natural de um nativo. Também vale treinar ativamente a estrutura com preposição no final ("the person I spoke to", "the book I told you about") — ela é extremamente comum na fala real e costuma ser subutilizada por brasileiros por excesso de formalidade herdado das regras do português.