Um dos traços mais marcantes do inglês formal e acadêmico — usado em textos de negócios, redações do IELTS/TOEFL, artigos científicos e relatórios — é a nominalização: o processo de transformar um verbo ou um adjetivo em um substantivo abstrato. Em vez de escrever "we decided to expand the company, which improved our results" (estilo mais verbal, direto), o inglês formal frequentemente prefere: "The decision to expand the company resulted in an improvement in our results."
Para o aluno brasileiro, a nominalização é ao mesmo tempo mais fácil e mais difícil do que parece. Mais fácil porque o português também nominaliza bastante (decidir → decisão, melhorar → melhoria), então a lógica geral é familiar. Mais difícil porque (1) o inglês tem muito mais sufixos nominalizadores concorrentes do que o português, sem um padrão único e previsível, e (2) o inglês acadêmico usa a nominalização de forma muito mais sistemática e intensa do que o português acadêmico, que tolera melhor um estilo mais verbal mesmo em registros formais.
O que é nominalização: definição e os dois tipos principais
Nominalização é o processo morfológico (e também um recurso de estilo) de transformar um verbo ou um adjetivo em um substantivo, geralmente por meio de um sufixo nominalizador.
| Tipo | Definição | Exemplo |
|---|---|---|
| Nominalização deverbal | Substantivo formado a partir de um verbo | decide → decision, develop → development |
| Nominalização deadjetival | Substantivo formado a partir de um adjetivo | happy → happiness, important → importance |
Estrutura:
VERBO + sufixo nominalizador → SUBSTANTIVO (ação/processo/resultado)
ADJETIVO + sufixo nominalizador → SUBSTANTIVO (qualidade/estado)
Sufixos de nominalização deverbal (verbo → substantivo)
| Sufixo | Exemplos | Sentido típico |
|---|---|---|
| -tion / -sion / -ation / -ition | create → creation, decide → decision, organize → organization, compete → competition | Ação ou resultado da ação |
| -ment | develop → development, move → movement, agree → agreement | Processo ou resultado |
| -ance / -ence | perform → performance, differ → difference, exist → existence | Estado ou qualidade resultante |
| -al | arrive → arrival, refuse → refusal, dismiss → dismissal | Ato de fazer algo (menos comum, grupo mais restrito) |
| -ing (gerúndio nominalizado) | plan → planning, build → building, feel → feeling | Processo em andamento, ou o produto/resultado |
| -er / -or (agente, não abstrato) | teach → teacher, direct → director | Pessoa que realiza a ação (nominalização de agente, diferente da nominalização de ação) |
Sufixos de nominalização deadjetival (adjetivo → substantivo)
| Sufixo | Exemplos | Sentido típico |
|---|---|---|
| -ness | happy → happiness, kind → kindness, dark → darkness | Qualidade ou estado (produtivo, aplica-se à maioria dos adjetivos) |
| -ity / -ty | active → activity, able → ability, honest → honesty | Qualidade (mais formal/latino que -ness) |
| -ce / -cy | urgent → urgency, accurate → accuracy, fluent → fluency | Qualidade ou estado (grupo latino específico) |
Ponto importante: alguns adjetivos aceitam dois sufixos nominalizadores diferentes, com sentidos ligeiramente diferentes ou registros diferentes: -ness costuma soar mais concreto/cotidiano, enquanto -ity costuma soar mais abstrato/formal. Exemplo: "curious" pode gerar tanto curiosity (o traço, mais comum e abstrato) — não existe "curiousness" amplamente usado nesse caso, mas em outros pares como "correct" temos apenas correctness, sem "correctity". Não há regra fixa: é preciso aprender par por par.
Nominalização como recurso de estilo formal e acadêmico
Além do processo morfológico puro, "nominalização" também é usada como termo de estilo para descrever textos que preferem substantivos abstratos a verbos e adjetivos diretos — um traço típico de inglês acadêmico, jurídico, jornalístico e de negócios (business English).
Comparação de estilo:
| Estilo verbal (mais direto, comum na fala) | Estilo nominalizado (mais formal, comum na escrita acadêmica) |
|---|---|
| We analyzed the data carefully. | The analysis of the data was carried out carefully. |
| The company failed because it expanded too fast. | The company's failure was due to its rapid expansion. |
| Prices increased suddenly, which surprised investors. | The sudden increase in prices surprised investors. |
Dica para quem estuda para o IELTS Writing Task 2 ou redações formais: usar nominalização com moderação eleva o nível de formalidade do texto e é valorizado em bandas mais altas de avaliação, mas o excesso de nominalização deixa o texto pesado, impessoal e difícil de ler — inclusive nativos são orientados, em manuais de "plain English", a reduzir nominalizações excessivas em textos que precisam ser claros e diretos. O equilíbrio é a chave.
Por que a nominalização é particularmente traiçoeira para brasileiros
- O português tem produtividade diferente para os mesmos sufixos-cognatos. "-ção"/"-são" em português é extremamente produtivo e quase sempre soa natural (organização, decisão, competição), mas em inglês o "-tion" equivalente não se aplica a todo verbo — muitos verbos preferem "-ment" (development, não "developation") ou não têm nominalização direta nenhuma, exigindo o uso do gerúndio (-ing) como substituto (ex.: "understand" não tem nominalização direta de ação amplamente usada; usa-se "understanding" como substantivo).
- Falsos cognatos de nominalização são comuns: assumption (suposição) não tem relação de sentido direta com "assunção" do português; realization pode significar tanto "realização" (de um projeto) quanto "percepção repentina" (perceber algo), e o segundo sentido é o mais frequente em inglês do dia a dia — um erro clássico é usar "realization" pensando apenas no sentido de "concretização de um sonho/projeto".
- A escolha entre -ness e -ity não é intuitiva para quem tenta aplicar uma lógica única — o aluno tende a escolher aleatoriamente ou usar sempre a mesma terminação para tudo, criando palavras inexistentes como "correctity" ou "honestness" em vez de correctness e honesty.
- Nominalização excessiva por "transferência de prestígio estilístico": como o português acadêmico (e principalmente o português jurídico) já tende a ser mais nominalizado que o português falado, o aluno brasileiro de nível avançado às vezes exagera ainda mais a nominalização em inglês, tentando soar "sofisticado", e acaba produzindo frases não-idiomáticas e difíceis de processar mesmo para leitores nativos.
Como praticar a nominalização de forma eficaz
- Ao aprender um verbo novo, pergunte-se: "Qual é o substantivo de ação correspondente?" e confira no dicionário se ele existe e qual sufixo usa.
- Monte listas de pares mínimos verbo → substantivo (não frases soltas), agrupando por sufixo (todos os "-tion" juntos, todos os "-ment" juntos) para fixar o padrão por semelhança sonora/ortográfica.
- Ao escrever textos formais (redação, e-mail profissional, relatório), experimente reescrever uma frase verbal em versão nominalizada e comparar as duas — isso desenvolve o "ouvido" para saber quando cada estilo é mais apropriado.
- Desconfie de nominalizações "óbvias demais" que soam parecidas com o português — sempre cheque o sentido real da palavra em um dicionário monolíngue de aprendizes antes de assumir que o cognato funciona.
- Leia jornais e artigos de opinião em inglês (The Economist, BBC, The Guardian) prestando atenção especial às nominalizações usadas nos títulos e primeiros parágrafos — é onde esse recurso aparece com mais densidade e mais valor estilístico real.